Marrequinhas por altanaria um sonho concretizado

Mestre e Aprendiz. À esquerda na foto Sebasien de Redon, à direita José Geadas.

 

Autor: José Geadas

Num dia soalheiro de inverno, fui ter com o meu amigo e Mestre Sebastien para mais uma jornada de falcoaria. Hoje o objetivo era as aquáticas , ou seja patos reais para o seu macho de açor Finlandês, e uma marrequinha para o meu macho de barbary, uma presa que sempre sonhei ver ao vivo e voar…

Quando chegamos ao campo, com a ajuda dos binóculos observamos a primeira charca e nada de patos. Continuamos a andar e na segunda charca o Sebastien afasta -se para a observar e ao regressar vem em passo acelerado dizendo para mim:

“Avistei um casal lindo de marrequinhas!!!”

Eu tiro o falcão do carro e o nervosismo começa a atacar, e a atrapalhação de meter o emissor na ave e tirar as piós agrava-se…

Depois de tudo mais calmo e de pensarmos no lance, solto o pássaro!

Eram 13:45 da tarde e estavam 20°c, muito calor para esta altura do ano mas o falcão subiu um tecto de 120, 130 metros, num ritmo mais lento que o habitual, penso que o calor e o facto da viagem ser longa sem ter oportunidade de apanhar sol o afectou no início do voo. Já com a ave centrada começamos a avançar para a charca, e eu cada vez mais nervoso porque nem sequer sabia se ele se iria fazer à presa.

Foi então que sai a fêmea de marrequinha a voar e o falcão faz um picado em gota, rapidamente a fêmea dá uma curva para trás entrando na água partindo o picado ao falcão! O falcão ganha tecto novamente e quando está de costas para a charca a fêmea voa a alta velocidade na direção contrária do predador!

Depois de pensar que já não iria haver mais ação o Sebastien diz :

“- Calma lá, se só saiu á fêmea o macho tem que aqui estar!”

E estava, estava açorado na berma da água! O falcão já nuns 100 metros pica com toda a fé ao pato e com um golpe na asa derruba a presa mesmo à minha frente contra o chão. Infelizmente quando vai fazer o loop para rematar a presa a mesma joga-se novamente para dentro de água!!!

O pássaro começa a subir em volta da charca. Nós de cada lado tentado levantar novamente o pato, e mais uma vez quando o pássaro vai ganhar ascendência de costas para a água o pato sai em velocidade pelo lado contrário sem dar hipóteses de perseguição.

Ainda não foi desta, mas o sonho de ver o meu falcão a picar numa presa tão nobre de tanta beleza concretizou-se!

Recuperei ao rol e continuamos a caçada neste caso para o açor !

Procuramos, procuramos e zeros patos , então decidimos ir para o campo onde voei está época as primeiras perdizes que grandes lances me proporcionaram de altanaria!

Chegamos ao campo e eu avistei um casal de perdizes no meio do campo!

Mas em vez de ser para o açor, o Sebastien disse para ser eu a voa-las!

Então assim foi falcão no ar, ganhando logo um tecto de 150 metros e com mais determinação de matar do que no início da tarde, corremos o campo todo mas desta vez o comportamento das perdizes foi bem diferente das perdizes de restolho do início da época. Desta vez, o campo já tinha aveia com um palmo e meio de altura e as perdizes ficaram açoradas pela presença do falcão que lhe voava por cima em plena acção de caça!

Corremos o campo todo e o pássaro sempre certinho a voar por cima de nós. Ao fim de 20 minutos a voar e sem auxilio do cão e sem sinais de perdizes resolvi dar o lance por terminado e chamar o falcão.

E pronto, como a falcoaria tem mais desilusões que glórias, quando tenho o falcão no rol saem às ditas perdizes quatro metros por detrás de mim, onde eu já tinha passado.

Quando o dia estava já a terminar ainda assisti a um grande lance a outra perdiz no mato pelo valente terçó de açor do amigo Sebastien, que acabou um agarre mal sucedido deixado um depenador enorme junto a um silvado!

Grande dia bem passado no baixo Alentejo!
Momentos que irei lembrar em toda a minha vida!

Podem consultar esta e outras histórias e artigos em: https://apfalcoaria.org/nebri/