Materiais utilizados

LISTA DE EQUIPAMENTO (por ordem alfabética):

Alcândora: vara onde se mantêm poisadas as aves caçadoras. Para evitar enleies da “avessada” e “piós”, suscetíveis de causarem desastres, a “alcândora” tem inferiormente um saiote de lona, de pano ou de coiro.

Aljaveira: pequena bolsa de coiro de pendurar no cinto, para transporte de viandas e picadas a dar às aves caçadoras. Serve também para transportar utensílios de Cetraria. (Deriva de “Aljava”: bolsa mais pequena e de linho, e que, segundo Carolina Michaëilis de Vasconcellos, veio a dar o moderno termo algibeira).

Apito: de bom som, sempre com o mesmo sinal, para chamar de longe a ave de Cetraria. Pode, em sua substituição, empregar-se um chamamento gutural que se denominará por “Reclamo” (não confundir com a “Grita”, uma voz estimulante que terá o duplo fim de advertir a ave de Cetraria do levante da caça e, ao mesmo tempo, provocar esse mesmo levante).

Arco: em madeira ou metal, simula um ramo de árvore para manter as aves de baixo-voo no “jardim”.

Búteo de Harris num arco com curvatura suave © westernsporting.com

Avessada: correia, de cerca de um metro e meio a dois metros de comprimento, de coiro curtido a cromo para, em ligação com as “piós”, por meio do “tornel”, sujeitar as aves caçadoras às “alcândoras” e aos “bancos”.

Banco: tronco de cone invertido, geralmente de madeira, com haste inferior de ferro, que se crava no solo arrelvado do “jardim”. Desenhado para o repouso das aves de Cetraria ao ar livre.

Banho: recipiente com água fresca e límpida, colocado no “jardim”. Sempre à disposição das aves caçadoras para beberem e banharem-se.

Bornal: bolsa de coiro, de pendurar a tiracolo, com forma típica da Cetraria. Maior que a “aljaveira”, além do transporte de utensílios, é também utilizada para transportar alimento para a ave e, incluso, para o seu cetreiro.

Balança: indispensável para o registo diário do peso da ave. Com ela aferimos a condição corporal da ave e a quantidade e qualidade de alimento a administrar.

Caparão: capuz de coiro para cobrir a cabeça das aves de Cetraria, tapando-lhes a visibilidade, a fim de se manterem tranquilas. Necessário para os Falcões de “altanaria”, é dispensável para o Açores bem adestrados. Aperta-se e alarga-se (ou fecha-se e abre-se) ao nível do pescoço, à altura da nuca, por meio de correias denominadas “serradoiros”.

Vários modelos de caparão

Cascavéis: guizos típicos de bom som que, presos aos “sancos” ou tarsos das aves de Cetraria, permitem localizá-las mais facilmente entre o arvoredo, matos, ervas altas.

Faca-de-caça: pequeno punhal-faca, utilizado para abreviar o fim das peças preadas e também para facilitar a “cortesia”, pedaço da presa que se oferece como prémio à ave caçadora.

Fiador: cordel longo, de quinze a vinte metros, de boa consistência, para assegurar os primeiros voos ao punho, sem perigo de extravio da ave.

Luva: de forma tradicional, com borla de coiro no ângulo inferior do canhão. Se destro, o cetreiro leva-a na mão esquerda.

Luva, cascavéis, pió, tornel e avessada 

Malhos: pequenas correias que sujeitam os “cascavéis” aos “sancos” das aves caçadoras.

Piós: correias, com cerca de vinte centímetros de comprimento, colocadas em volta dos “sancos” das aves caçadoras, para as sujeitar ao punho ou, em ligação com o “tornel” e “avessada”, às “alcândoras” e aos “bancos”. O singular deste vocábulo é “pió” e o género é feminino. Quando a ave de Cetraria está aparelhada com as suas “piós”, “malhos” e “cascavéis”, diz-se estar “guarnecida”.

Rol: negaça para chamar do alto os Falcões em voo. É normalmente confecionada em coiro, forrando uma armação em forma de ferradura de cavalo (ou mesmo uma ferradura) e cosendo-se-lhe, tradicionalmente, em cada face exterior, um par de asas de ave. No meio contém dois “atadores” que prenderão a carne de “encarnar” o “rol”. Preso por uma correia, o “rol” é volteado (ou “rolado”) no ar, ao mesmo tempo que se vai chamando o Falcão que deverá, então, “fazer-se a ele”, consentindo-se-lhe, por prémio, que saboreie umas picadas do alimento atado no “rol”. Para os seus Açores ou para as suas Águias, costumam os cetreiros atraí-los com “negaça” de arrasto, confecionada de pele de lebre, de coelho ou de raposa, contendo igualmente “atadores” para “encarnar”.

Telemetria: a maior revolução dos métodos milenares da cetraria, em especial para os praticantes de alto voo. Consiste num conjunto constituído por um emissor e um recetor, sendo o primeiro de construção ligeira, que lhe permite ser transportado pela ave. O emissor emite um sinal que é captado pelo recetor, indicando ao falcoeiro a direção onde se encontra a sua ave.

Equipamento de Telemetria 

Foto© MarshallRadio

Tornel: pequeno duplo-anel metálico com eixo, para ligar as “piós” à “avessada”, facilitando o destorcer. Ao conjunto das “piós”, do “tornel” e da “avessada” dá-se o nome de “peias”.

Treina: peça de caça pré-capturada para largar durante o treino da ave caçadora. Haverá o maior cuidado em não consentir que a ave de Cetraria contraia o péssimo hábito de “sopezar”, isto é, de fugir com a peça que preou.

Varais: varas formando um retângulo, com suspensórios e quatro pés, que permitem transportar ao campo de caça várias aves de Cetraria ao mesmo tempo, de modo a que umas descansem, enquanto evoluem outras.

INSTALAÇÕES

As aves de Cetraria – não devem ser mantidas em gaiolas ou jaulas, devido ao risco de partirem rémiges e retrizes e ferirem as ceras dos bicos contra as grades ou redes. Mantêm-se nas “mudas” e no “jardim”.

Mudas: dizem-se das casas onde permanecem as “aves-nobres”, pois, por vezes, aí são mantidas durante toda a época da muda das penas. Fora dessa época são habitualmente colocadas no “jardim”, de onde, ao fim do dia, são recolhidas e instaladas nas “mudas” para pernoitar. As “mudas” também se designam por “falcoeiras” e “açoreiras” ou simplesmente por “falcoaria”.

Jardim: terreno relvado onde as aves de Cetraria, durante o dia, permanecem, repousam e tomam banho.


Nota: Alguns dos materiais aqui referidos detêm grande valor histórico e cultural. No entanto, nenhum tipo de material é seguro se não for convenientemente utilizado. É dever de cada cetreiro saber escolher e utilizar os equipamentos de cetraria que melhor se adaptem à sua ave e às suas circunstâncias particulares