Equipamento de falcoaria

Equipamento de falcoaria

O equipamento de falcoaria foi desenvolvidos ao longo de séculos para fomentar o bem-estar das aves de presa e o seu maneio adequado em cativeiro. 

No entanto, nenhum tipo de material é seguro se não for convenientemente utilizado. É dever de cada falcoeiro saber escolher e utilizar os equipamentos de falcoaria que melhor se adaptem à sua ave e às suas circunstâncias particulares. 

Nesta página damos a conhecer algum do material mais icónico (com a ajuda de algumas fotos).

Listagem de equipamento mais comum

Falcão com caparão na luva
Falcão equipado. Veja imagens de equipamento mais abaixo.

 

Alcândora: poleiro, tipo vara. A alcândora tem, inferior ao local de poiso das aves, um saiote de lona, pano ou couro, para evitar que a aves fiquem penduradas quando tentam voar;

Aljaveira: pequena bolsa de couro de pendurar no cinto, para transporte o alimento a dar às aves;

Apito: usado para chamar as aves de falcoaria quando se encontram longe; 

Arco: poleiro curvo em madeira ou metal que simula a curvatura do ramo de árvore. Usado para manter as aves de baixo-voo;

Avessada: correia ou corda, de cerca de um metro e meio a dois metros de comprimento, faz a ligação com as piós, por meio do tornel, de forma a sujeitar as aves de falcoaria às alcândoras, aos bancos ou aos arcos.

Banco: poleiro em forma de cone invertido, geralmente de madeira, com haste inferior de ferro, que se crava no solo. Desenhado para o repouso das aves de falcoaria, em especialmente falcões.

Imagens / Parte 1

Banho: recipiente com água fresca e límpida, colocado à disposição das aves de falcoaria para beberem e tomarem banho.

Bornal: bolsa de couro, de pendurar a tiracolo. Maior que a aljaveira, além do transporte de utensílios, é também utilizada para transportar alimento para a ave e, incluso, para o falcoeiro.

Balança: equipamento indispensável para o registo diário do peso da ave. Com ela é aferida a condição corporal da ave e a quantidade e qualidade de alimento a administrar.

Caixa de transporte: caixa fechada que mantém a ave segura durante o transporte. A caixa deve, geralmente, conter um poleiro para que a ave possa estar comodamente poisada.  

Caparão: capuz de couro para cobrir a cabeça das aves de falcoaria, tapando-lhes a visibilidade, a fim de se manterem tranquilas. Aperta-se e alarga-se (ou fecha-se e abre-se) ao nível do pescoço, à altura da nuca, por meio de correias denominadas serradouros

Cascavéis: guizos típicos de bom som que são presos aos sancos/tarsos das aves de falcoaria e permitem localizá-las mais facilmente.

Fiador: cordel longo, de quinze a vinte metros, resistente, para assegurar os primeiros voos no exterior, sem perigo de fuga da ave.

Luva: feita em couro com espessura variável, consoante a força de agarre da ave. Na sua forma tradicional tem uma borla de couro no ângulo inferior do canhão. Se destro, o falcoeiro usa a luva na mão esquerda. 

Malhos: pequenas correias que sujeitam os cascavéis aos tarsos/patas das aves de falcoaria.

Piós: duas pequenas correias de igual tamanho, colocadas em volta dos tarsos/pernas das aves de falcoaria, com um sistema de colocação que não permite o aperto do sistema além de deteriorando ponto. Servem para as sujeitar ao punho ou, em ligação com o tornel e avessada, às alcândoras, aos bancos ou aos arcos. Existem diversos modelos.

Rol: equipamento que simula uma negaça/presa para chamar as aves de falcoaria É normalmente confeccionada em couro e adornada com um par de asas ou pelo do animal que se pretende caçar.

Telemetria: a maior revolução dos métodos milenares da falcoaria, em especial para os praticantes de alto-voo. Consiste num conjunto constituído por um emissor e um receptor, sendo o primeiro de construção ligeira, que lhe permite ser transportado pela ave. O emissor emite um sinal que é captado pelo receptor, indicando ao falcoeiro a direcção onde se encontra a sua ave.

Tornel: pequeno destorcedor (duplo-anel metálico com eixo), para ligar as piós à avessada, evitando que se enrole. Atenção, este é a peça de equipamento que falha mais frequentemente, utilize bons torneis destinados especificamente a falcoaria. 

Imagens / Parte 2

 

Instalações usadas com aves de falcoaria

As aves de falcoaria não podem ser mantidas em gaiolas ou semelhante dado que isto tende a provocar lesões por contacto da ave com as redes (levando a ferimentos ou quebra de penas). Por essa razão ao longo dos séculos forma desenvolvidas instalções específicas para este tipo de animais. 

De uma forma sumária e tradicional estas dividem-se em: 

  1. Mudas: dizem-se instalações fechadas (ou parcialmente fechadas) onde são mantidas (geralmente soltas) as aves de falcoaria durante a noite ou durante toda a época da muda das penas (março-agosto). As “mudas” também se designam por “falcoeiras” e “açoreiras” ou simplesmente por “falcoaria”.
  2. Jardim: terreno relvado onde as aves de falcoaria, durante o dia, presas ao seu poleiro, para que repousem e tomem banho.

 

Para saber mais

Há muito para discutir quando falamos de equipamento. Existem vários modelos de cada tipo de equipamento, cada um adaptado a espécie de ave ou características específicas.

Existem. também, pormenores de segurança e boa utilização que o falcoeiros deve compreender antes de usar cada um destes materiais.

Para saber mais sobre equipamento de falcoaria sugerimos que adquira um dos livros recomendados na página Aprender ou frequente uma das edições do nosso Curso de Falcoaria.